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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Pré munição...

Estivemos a ver televisão como de costume... A posição, a mesma de sempre... Braços, ombros, cabeça e encosto fundidos...

Já tarde, fomos para a cama, como sempre fizemos... Com os compassos a que nos acostumámos... O revezar já há muito definido... entre pijamas e casa-de-banho...

Deitámo-nos... A posição de ontem... A mesma da noite que antecedeu ontem e a noite antes dessa noite...

O beijo de "boa noite" é, talvez, já o único do dia...

Na noite que o beijo não sair, ir-se-á perceber que já nada é real...


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

09/09/2003

She called me into her room... Although she couldn’t play, she sat by the grand piano. The room was dark but some bursts of light pierced through the blinds.

The chaos of the random notes and her bare skin made me shiver.

"Come play" - she said.

I approached her... I leaned towards the piano.

She ran away from it. She laid on her bed and covered herself with the blue satin sheets.

I sat on the stool and got ready to play.

As I sat I could feel exactly where she had been sitting... the warmth of ther thighs and her wetness were still present.

I started playing.

"No" - she said - "Don't play the piano."

- "Uh?

"Play me instead"

She threw the sheets aside.

Her body beautiful as always.

The rain outside grew stronger but the only times her voice and her sounds came weaker was when the thunders were stronger.

Her voice and her sounds blended with the rain and the thunders made me stronger...

That loving chaos of love drove me out of myself.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sebastião...

Sebastião era um velhote já com alguma idade... A esposa que já falecera há alguns anos tinha-lhe deixado dois filhos... Um seguiu os estudos e com a vida. Raramente visitava o pai e poucas vezes falava com o irmão, uma vez que este tinha ficado em casa por não ser auto-suficiente... precisava de acompanhamento...

Sebastião não era supersticioso... nem os seus filhos alguma vez o foram... No entanto, Sebastião andava sempre com uma pedra no bolso... Uma pedra comum, uma simples pedra... sem metal algum que lhe desse valor e sem mineral precioso que lhe desse brilho... Literalmente, um calhau... Esse calhau acompanhava sempre Sebastião... E Sebastião sentia-se bem... Às vezes tirava a pedra do bolso e olhava para ela, como se a pedra lhe falasse e lhe desse respostas...

Um dia, o tal filho foi a casa... uma data qualquer daquelas a que "tinha" de ir a casa ver o pai velhote e o irmão que mal conseguia construir uma frase lógica...

"Ainda andas com o calhau no bolso? Nunca percebi a lógica disso." - Disse à mesa ao almoço.

O irmão olhou para ele e os olhos brilharam com a formação de lágrimas.

Nesse dia, antes de sair de casa, fez questão de roubar a pedra ao pai. Enquanto este dormia a sesta, suavemente tirou-lha do bolso e fugiu.

No dia seguinte, já no trabalho a que se dedicava de corpo e alma, recebe um telefonema. O pai tinha morrido.

Levou a mão ao bolso e pegou ele próprio na pedra que ainda trazia consigo.

Ainda hoje a traz...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sedução…

Não olhes para mim agora… estou a olhar para ti e a sorrir… a reconhecer tudo o que passa na minha cabeça…

Primeiro há o toque… o receio… será que ficas e aceitas… será que foges e te afastas?

Aceitas… será porque não percebeste o meu toque? Não foi explícito? Ou queres ver até onde vou? Eu acho que o toque foi explícito… mas repito-o… mais pausadamente… mais intencionalmente… restam dúvidas?

Olhas para mim… agora sou eu que receio olhar-te… demasiado a passar nos meus olhos… não olhes para dentro de mim…

Deixo a minha mão livre… ela que seja os meus olhos… ela que te percorra a face… suavemente como um olhar… deixa a minha mão recolher as fragrâncias que emanas… as tuas e não as de qualquer perfume caro…

Aproximo-me… sinto a tua mão mexer… passas o braço para trás de mim… à medida que me aproximo, o teu braço mais perto de me tocar… envolver… puxar…

A minha cara percorre a zona do teu ombro… sinto o calor que o teu corpo liberta… juntamente com cheiros atordoantes… que me fazem fechar os olhos enquanto os meus lábios respiram o teu pescoço… se atrevem a explorar… a descobrir… a tocar… o teu pescoço é tocado… a tua mão subiu para a minha nuca?

Num gesto delicado e quase natural viras a cara e encontramo-nos face a face… lábios a lábios… não te olho nos olhos… olho os teus lábios… como num duelo ao pôr-do-sol… à espera de um primeiro sinal que me faça reagir…

Será que queres? Eu sei que eu quero…

Beijas-me… com a tua mão na minha face…

O jogo está feito… desfrutai…

domingo, 12 de outubro de 2008

Guerra...

Há horas que oiço tiros... a talvez uns 600 metros de onde estou com o computador...

Ontem estavam viaturas militares na ponte... tropas armados... NATO... vigilância aos veículos...

Fala-se em recolher obrigatório... e eu só penso em voltar para ti...

Dói-me o corpo do frio... a camisola de lã que trago parece não ser suficiente...

E o bem que saberia o teu corpo quente a aquecer o meu...

Parece que vão começar a revistar todos os veículos à entrada e à saída... hoje já houve confrontos... a "Polícia Militar de Intervenção" (não sei o nome deles) já andou a "libertar o stress" nos manifestantes... Exigem a libertação do presidente...

E eu aqui...

E tu... longe... que saudades...

Os tiros pararam há algum tempo... 5 minutos talvez...

Hoje acordei com sons bem diferentes dos habituais... eram 7h da manhã... parecia não ter fim... o toque...

Os médicos não andam por cá... mas parece que para a semana a Ministra da Saúde virá pessoalmente ver o estado da situação... avaliar o desempenho...

Tiros de novo... parece de outro lado... ou talvez façam eco nos edifícios fora deste quarto...

sábado, 3 de maio de 2008

Quero uma espada…

Acordei com estas palavras… Estava algures no século XIII numa situação de corrida de cavalos, com pessoal amigo. É uma embuscada e uma senhora que sabia voar (é uma actriz portuguesa, mas não me lembro do nome) rapta-nos e prepara o abate dos cavalos em conjunto com a nossa execução.

Há quem, ao saber destes planos, tenha decidido fugir, voltando mais tarde…
Estamos os 4 prestes a ser executados e algo, que já não me lembro, impede o momento. Sei que transportava um fio (esta parte vem do filme “300”)…
Entretanto, dou por mim com uma criança (rapaz com uns 8 anos) num espécie de labirinto com rampas de construção rosa escuro e renascentista, ao ar livre…
Uma porta abre e aparece um homem enorme… olha para nós… aproveitamos a porta aberta e saímos…

Vamos ter a uma sala e pela janela convreso com a tal senhora que sabe voar (será que isto vem da fada Turquina?) que diz que alinha num desafio mas que não poderá ser já, que terá de ser reintegrada na sociedade uma vez que se sente magoada por termos espalhado os planos maquiavélicos que tinha (gosto da palavra) e teremos de aguardar algum tempo…

Prepara-se uma caixa de acrílico (ou algo parecido)… iremos combater lá dentro… A caixa faz com que seja impossível usar poderes mágicos no interior…

Está tudo pronto…

Quero uma espada!…

E acordo para ver quem estava…

:)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Tailândia...

Quando fui acordada, há bastante pouco tempo, estava a sonhar que estava na Tailândia... Estava de "férias" apesar de trabalhar lá... num projecto ciêntífico que envolvia gases e químicos e aqueles fatos estranhos...

OK... Tailândia pelos quadros do restaurante "O Túnel" em Oliveira do Hospital... a cena do científico é o meu cérebro a pedir para acabar de ver a segunda série de "Heroes"...

Ontem fomos a "Piódão"... tenho o cabo da máquina no carro... deixo cá depois...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Existe!


















Mais uma noite atacada pelas insónias...

Se estivesses aqui, iria aninhar-me em teus braços... esboçar um sorriso... mesmo no escuro, saberias que estaria a sorrir...

Depois, beijar-te-ia o ombro... esse ombro suave... e sentiria o cheiro dos cabelos com banho recém tomado... ainda a libertar a frescura da água que te acariciou...

Perceberias o meu corpo a pedir "envolve-me"... sem eu ter de falar... e sentiria os teus braços a receber o meu corpo cansado...

Não teria de te pedir "beija-me"... pois está implícito em todos os gestos que faço... na forma como nos envolvemos... E adormeceria, então, na paz transmitida... paz de anjo...

Mas... peço-te... "Existe!"... Que insónias no singular... sem o "envolver" e o "beijar" faz com que eu também não "exista"...

Existe! Sim, porque em mim existes... mas as minhas mãos sozinhas não conseguem criar...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Pandora...

Abriste a caixa à minha frente... vi o interior e gostei... fechaste a caixa e guardaste-a bem pertinho de mim...

"- Se tocares na caixa, ela desaparece; Se ignorares a caixa, ela deixa de estar lá."

"- Como acedo à caixa, meu anjo?"

"- Não desejes a sua abertura."

"- Então?"

"- Contempla a caixa de longe e conhece-a para que se volte a abrir... mas pode demorar... não queres outra caixa?"

"- Não... é este o conteúdo..."

"- Viste bem?"

"- Sim, vi bem."

"- Então lembra-te do seu conteúdo. E vai adicionando tudo o que vais percepcionando... Talvez a caixa volte a abrir um dia..."

sábado, 14 de julho de 2007

Mar...














Estou na areia... olho para a imensidão do mar... Que pequeninos somos... todos... Perante a imensidão do areal e do mar... o que somos nós? O que é o que sentimos uns pelos outros?

O meu fascínio pela astronomia faz-me pensar o mesmo... o que somos nós?

Amor? O que é o amor? Que força é essa? Face à força que move as ondas? As estrelas? Os planetas? O Universo? Somos tão, mas tão minúsculos... praticamente inexistentes... e ainda pensamos que o Amor move montanhas... o que é uma montanha face à imensidão... à simples distância entre dois planetas... ???

Mas... na nossa pequenez perguntamos... O que é o Universo? Que é toda essa imensidão para mim?

- Se estando aqui faço parte do Universo, faço parte da imensidão. Deixa que o que sinto me mova... Deixa que seja o Amor a comandar o Universo... Deixa-me comandar o meu destino, sem pensar em forças maiores que movem estrelas, planetas ou cometas... Sê tu essa força em mim... Deixa-me ser essa força em ti... E ao sentir teus dedos intercalados nos meus parar toda a rotação do mundo, ao ver um sorriso parar a luz (por maior velocidade que tenha), ao sentir teus lábios implodir como uma onda que se enrola, para se estender e envolver na areia, até tocar meus pés...

Abro os olhos... não estás cá... nunca estiveste... mas mantenho a espuma da onda...